sábado, 25 de fevereiro de 2017

Vinho tinto faz bem? Saiba o que diz a ciência

Acredita-se que os polifenóis do vinho tinto (o resveratrol, em particular) podem ter benefícios singulares de proteção à saúde

O vinho é considerado um ingrediente indispensável na dieta mediterrânea, caracterizada por um cardápio saudável (iStock/Getty Images)

Faz alguns anos que o vinho tinto passou a ser apontado pela ciência como um protetor em potencial para a saúde de uma forma geral. Ao mesmo tempo, cresce o número de estudos científicos sugerindo que o álcool, mesmo que consumido em pequenas quantidades, pode fazer mal e está associado a uma série de doenças. A grande questão é: seria o vinho uma exceção? As informações são do programa Trust me I’m a Doctor (“Confie em mim, sou médico”), da rede britânica BBC.

Acredita-se que os polifenóis do vinho tinto (o resveratrol, em particular) podem ter benefícios singulares de proteção a ataques cardíacos, por exemplo. O álcool ajuda a evitar danos às artérias e inibe a formação de coágulos. Já o resveratrol, encontrado na casca da uva vermelha, tem ação vasodilatadora e aumenta o HDL, o colesterol bom, e diminui o LDL, o ruim.

Os benefícios do vinho para a saúde seriam em quantidades moderadas, é claro. Recomenda-se no máximo duas taças diárias para os homens e uma para as mulheres, pela diferença do organismo de cada um para a absorção do álcool. O consumo regular foi relacionado com longevidade e redução do endurecimento arterial.

Já se mostrou também que o resveratrol evita o desenvolvimento de tumores, protege os neurônios, é um forte antioxidante, ajuda a combater vírus e é um potente anti-inflamatório. A ciência tenta, inclusive isolar o resveratrol para que ele seja usado na prevenção de doenças.

Soma-se a isso o fato de que a bebida é considerada um ingrediente indispensável da dieta mediterrânea, caracterizada por um cardápio saudável, repleto de alimentos frescos e naturais como azeite, frutas, legumes, cereais, leite e queijo.

Apesar dos possíveis benefícios, o Cancer Research UK, o centro britânico de pesquisas para o câncer, alerta que é um erro tomar vinho tinto achando que isso fará bem à saúde.

fonte
Atenção: O Saúde Canal da Vida é um espaço de informação, divulgação e educação sobre assuntos relacionados a saúde, não utilize as informações como substituto ao diagnóstico médico ou tratamento sem antes consultar um profissional de saúde. Este site não produz e não tem fins lucrativos sobre qualquer uma das informações nele publicadas, funcionando apenas como mecanismo automático que "ecoa" notícias já existentes. Não nos responsabilizamos por qualquer texto aqui veiculado.

A primeira consulta ginecológica, quando devo levar minha filha?

A primeira consulta ao ginecologista deve ocorrer em torno dos 12 anos ou antes, se a menina tiver algum sintoma ginecológico

Médico fala sobre contraceptivo (iStock)

Transformações no humor, na personalidade, na sexualidade e no corpo se iniciam na puberdade, muitas mães e pais se perguntam quem é o profissional em quem devem se apoiar agora. Ela não tem mais idade para ir ao pediatra, mas ainda é muito pequena para uma consulta ginecológica?

A primeira consulta na ginecologista deve ocorrer em torno dos 12 anos de idade ou quando a menina tiver algum sintoma ginecológico antes, entre os mais comuns estão corrimento, surgimento do broto mamário doloroso, alterações de humor e sono e a primeira menstruação. Este encontro serve para detectarmos problemas ligados ao aparelho reprodutivo, mas, no meu ponto de vista principalmente para informar e criar um vínculo de confiança com esta jovem mulher que poderá ver em sua médica um “porto seguro” para discutir questões que a afligem e aprender a cuidar de seu corpo e mente nesta nova fase de sua vida.

É fundamental para qualquer mulher entender o funcionamento do próprio corpo e as mudanças em sua forma e funcionamento que ocorrem na puberdade. Nesta, como em outras fases de nossas vidas, informação é o maior bem!

Me lembrava, quando escrevia este texto, que há alguns anos fui convidada para fazer uma palestra na escola de minha filha sobre puberdade. Fui bastante desarmada falar para crianças de 10 anos, qual foi a minha surpresa quando após minha “fala técnica” fui bombardeada com perguntas que giraram desde “como se faz um parto de xifópagos (gêmeos que nascem unidos por partes do corpo)” a “é possível um casal homossexual gerar um filho geneticamente dos dois”?

Deste dia levei uma lição: na era da informação democratizada, internet e redes sociais, se nós não informamos corretamente nossos filhos e filhas, eles buscarão informações que muitas vezes não condizem com a realidade.

Outra questão conceitual que preocupa é ligada à vida moderna, de praticidade e correria aonde as menstruações são consideradas um grande aborrecimento, associadas à dor, incômodo e sofrimento e, lógico, as meninas já chegam nesta fase mal humoradas com seu corpo e seu estado. Isso é um fato histórico que ocorre por conta de um conceito ocidental que liga as menstruações à vergonha, impureza, fraquezas e até inferioridade da mulher. Uma pena, pois deveríamos relacionar todo este ciclo ao incrível milagre da vida, como fazem muitos povos antigos. Esse conhecimento está presente, por exemplo, na cultura de nativos norte americanos que chamavam o ciclo menstrual de “lua”, justamente por sua relação cíclica direta com a Lua Planetária, essa Lua Cósmica que rege os Ciclos Naturais de Vida em nosso planeta Terra.

É isso então! Conhecer o corpo e suas transformações na pré-adolescência é uma atitude inteligente e saudável que seguramente terá um impacto importante na vida destas incríveis mulheres do século XXI.



Por Marianne Pinotti
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Expectativa de vida chegará a 90 anos para mulheres em 2030

A situação não mudará significativamente até 2030 nos Estados Unidos, onde a expectativa de vida já é inferior à da maioria dos países desenvolvidos

Mulheres idosas empurram carrinhos de compras em Berlim, Alemanha (Sean Gallup/Getty Images/VEJA)

A expectativa de vida continuará aumentando nos países desenvolvidos e alcançará os 90 anos em 2030 para as mulheres de países como Coreia do Sul, França e Espanha — revela um estudo publicado nesta quarta-feira. “Até pouco tempo atrás, muitos cientistas pensavam que a expectativa de vida nunca ultrapassaria os 90 anos”, lembrou o professor Majid Ezzati, autor principal do estudo publicado na revista médica britânica The Lancet.

Após combinar 21 modelos matemáticos para prever a evolução da expectativa de vida em 35 países desenvolvidos, os pesquisadores chegaram à conclusão de que as mulheres sul-coreanas são suscetíveis de superar os 90 anos até 2030. A expectativa de vida de uma sul-coreana ao nascer em 2030 será de 90,8 anos, enquanto que a das espanholas será de 88,07 anos, a das francesas, 88,6 anos, e a das japonesas, 88,4 anos.

A expectativa de vida também evoluirá para os homens, e a diferença em relação às mulheres (que são mais longevas) tenderá a se reduzir em 2030, exceto no México, onde aumentará ligeiramente, e no Chile, França e Grécia, onde ambos os sexos avançarão de forma similar. Os homens sul-coreanos terão uma esperança de vida de 84,1 anos, à frente de australianos e suíços, ambos com uma expectativa de 84 anos, enquanto a dos espanhóis será de 83,4 anos.

Segundo as últimas estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS), publicadas no ano passado, os três países com maior expectativa de vida para as mulheres em 2015 eram Japão (86,8 anos), Singapura (86,1 anos) e Espanha (85,5 anos). No caso dos homens, eram Suíça (81,3 anos), Islândia (81,2) e Austrália (80,9).

Maior melhora — A expectativa de vida vai melhorar claramente na Coreia do Sul, com uma alta de 6,6 anos para as mulheres, e de sete anos, para os homens entre 2010 e 2030. Esse país melhorou o acesso aos cuidados médicos e vem promovendo uma alimentação saudável entre crianças e adolescentes. Além disso, tem taxas de obesidade e de tabagismo entre as mulheres inferiores às da maioria dos países analisados, de acordo com os pesquisadores.

Pouca mudança nos Estados Unidos — O estudo também revela que a situação não mudará significativamente até 2030 nos Estados Unidos, onde a expectativa de vida já é inferior à da maioria dos países desenvolvidos. A expectativa de vida para as mulheres americanas passará de 81,2 anos, em 2010, para 83,3 anos, em 2030, e de 76,5 para 79,5 anos para os homens.

Para explicar essa situação, os pesquisadores destacam as desigualdades persistentes, a ausência de um sistema de saúde universal e as altas taxas de mortalidade infantil e materna, assim como de homicídios e de obesidade. A progressão no México será similar à dos Estados Unidos. Para as mulheres, a expectativa de vida passará de 78,9 para 82,9 anos entre 2010 e 2030. No caso dos homens, pulará de 73,1 para 76,1 anos.

No Chile, a expectativa de vida das mulheres passará de 82,9 para 86,8 anos, e a dos homens, de 76,7 para 80,7. O estudo também revelou que, em geral, os homens melhoraram seu estilo de vida. Antes “fumavam e bebiam mais e eram vítimas de acidentes e homicídios com mais frequência”, disse Ezzati, do Imperial College de Londres, para explicar a progressão da expectativa de vida masculina.

(Com agência France-Presse)
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Parceria entre Unicamp e Aché gera novas ferramentas para descoberta de fármacos

Por simulações computacionais, pesquisadores investigam como interagem a quinase AAK1 e a pequena molécula capaz de inibir sua atividade

Agência FAPESP – Foi divulgado recentemente na plataforma aberta bioRxiv um dos primeiros frutos da parceria entre o Centro de Biologia Química de Proteínas Quinases da Universidade Estadual de Campinas (SGC-Unicamp) e o Aché Laboratórios Farmacêuticos – apoiado pela FAPESP.

O estudo descreve um composto químico candidato a ser usado em futuras pesquisas como um inibidor seletivo da enzima AAK1(proteína quinase 1 associada à AP2), considerada um potencial alvo para o desenvolvimento de fármacos.

Vinculado ao Structural Genomics Consortium (SGC) – parceria público-privada que reúne em diversos países mais de 400 cientistas de universidades, indústrias farmacêuticas e entidades sem fins lucrativos –, o centro da Unicamp, liderado pelos pesquisadores Jonathan Elkins, Katlin Massirer Opher Gileadi e Paulo Arruda, tem como objetivo desvendar a função de proteínas do tipo quinase, responsáveis por regular processos importantes do organismo, como divisão, proliferação e diferenciação celular. Embora sejam consideradas alvos prioritários para o desenvolvimento de fármacos, estima-se que apenas 40 das cerca de 500 proteínas desse tipo identificadas no genoma humano já tenham sido bem estudadas.

De acordo com Rafael Couñago, pesquisador do SGC-Unicamp e primeiro autor do artigo, a AAK1 é uma quinase envolvida no processo de endocitose, pelo qual diversos tipos de partículas do meio extracelular – como neurotransmissores, micronutrientes e até alguns vírus (hepatite, dengue e Zika, por exemplo) – são transportados para dentro das células.

“Evidências da literatura científica indicam que, quando a AAK1 é inibida, a endocitose ocorre com menor frequência. Mas para compreender sua função exata na célula e verificar se ela é um alvo terapêutico promissor, precisamos de um tipo de ferramenta conhecido como sonda química – uma pequena molécula capaz de se ligar seletivamente a essa enzima e inibir sua função em um modelo biológico”, contou Couñago.

Como explicou o pesquisador, já se sabe que a AAK1 é responsável por fosforilar a proteína AP2 (proteína adaptadora 2), isto é, ela catalisa a transferência de um grupo fosfato de moléculas de alta energia, como o ATP (adenosina trifosfato), para a AP2 e isso modifica a atividade da proteína-alvo na célula, fazendo com que o processo de endocitose ocorra mais frequentemente.

“Ainda é preciso detalhar melhor como ocorre essa regulação. Descobrir, por exemplo, em qual momento do processo de endocitose a ação da AAK1 é importante”, afirmou.

Triagem
Em busca de uma sonda química que possibilite estudar a AAK1, pesquisadores do centro do SGC sediado na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, Estados Unidos, triaram uma biblioteca de moléculas químicas por um método conhecido como high-throughput screening (triagem automatizada em larga escala), um tipo de ensaio bioquímico no qual a enzima é colocada para interagir com centenas de candidatos a inibidor simultaneamente. A coleção de compostos foi cedida pela farmacêutica GSK, uma das parceiras do consórcio.

No centro do SGC na Unicamp, os pesquisadores elucidaram a estrutura tridimensional do complexo formado pela molécula que se mostrou mais promissora nos ensaios de larga escala e a proteína quinase mais semelhante à AAK1 em humanos – denominada BIKE – por um método conhecido como cristalografia de raios X.

“A estrutura cristalográfica revela como se dá o contato íntimo entre a pequena molécula e a proteína. Nos permite identificar qual parte da sonda química é responsável pela grande afinidade que ela demonstra pela AAK1”, explicou Couñago.

Com a colaboração do time de inovação radical do Aché, liderado pelo diretor Cristiano Guimarães, foram feitos estudos computacionais para calcular custo energético durante a estabilização do processo catalítico.

“Essa análise nos mostrou que, quando substituímos na estrutura da pequena molécula candidata a sonda um grupo ciclopropil por um isopropil, sua atividade é dramaticamente reduzida. Isso porque o custo energético para formar o complexo torna-se muito maior, algo que não é possível perceber apenas olhando para a estrutura”, explicou Couñago.

Essa descoberta é importante porque, segundo o pesquisador, permite que essa versão alternativa da pequena molécula com o grupo isopropil seja usada como um “controle negativo” nos experimentos. Isso porque, embora a interação com a AAK1 tenha sido desligada, a candidata a sonda continua interagindo com todas as outras proteínas da célula normalmente.

“Podemos, então, fazer os mesmos experimentos usando a sonda química e usando o controle negativo e depois comparar os resultados. Dessa forma, aumentamos o grau de certeza de que os efeitos biológicos observados com o inibidor são devidos à inibição da função da AAK1”, disse o pesquisador.

Open Science
Um dos princípios-chave do modelo de parceria do SGC é o de “ciência aberta”, ou seja, todos os participantes do consórcio se comprometem a tornar públicos os resultados de suas pesquisas o mais breve possível. Por esse motivo, explicou Couñago, o artigo foi colocado disponível na internet mesmo antes de ser submetido ao processo de revisão por pares.

“Acreditamos que, desse modo, ampliamos a quantidade de pessoas que podem comentar o trabalho para que sejam feitas as correções devidas e aumentamos o impacto das descobertas”, avaliou.

Para o pesquisador, embora a pequena molécula tenha mostrado potencial para se tornar uma sonda química, ainda são necessários mais estudos de controle de qualidade.

“Agora estamos no estágio de captar colaboradores interessados em estudar a via da endocitose e a função da AAK1 nesse processo. O SGC não tem a capacidade de trabalhar com modelos biológicos variados e, por esse motivo, tenta alcançar a comunidade científica o mais cedo possível visando atrair colaboradores”, concluiu Couñago.

O artigo “Development of Narrow Spectrum ATP-competitive Kinase Inhibitors as Probes for BIKE and AAK1” pode ser lido em: http://biorxiv.org/content/biorxiv/early/2016/12/15/094631.full.pdf.

por Karina Toledo
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Jovem quase morre após contaminação por absorvente

Em raro caso, a jovem britânica Phoebee Bambury quase morreu após contrair a Síndrome do Choque Tóxico causada pelo uso de um absorvente interno

Phoebee Bambury, de 19 anos, reconheceu os sintomas do choque tóxico, pois já era familiarizada com a doença. Agora ela se dedica a alertar outras jovens sobre os riscos associados ao uso de absorventes internos e sobre as características da síndrome. (Phoebee Bambury/Reprodução)

Em caso raro, a britânica Phoebee Bambury, de 19 anos, quase morreu após contrair a Síndrome do Choque Tóxico (SCT), causada pelo uso de um absorvente interno. A jovem contou à rede BBC que deu entrada no hospital após reconhecer os sintomas – febre, enxaqueca, dores musculares e vômitos – da contaminação grave causada por bactérias.

A SCT é causada por bactérias que liberam toxinas letais no organismo e caso não seja rapidamente tratada pode culminar em insuficiência renal aguda e até mesmo em morte. Embora possa ser provocada por vários fatores, ela geralmente está associada ao uso de absorventes internos por longos períodos. Tanto que é possível encontrar a descrição dos sintomas da doença em algumas embalagens desses produtos. As marcas também alertam sobre o período máximo de utilização de cada absorvente, que costuma ser de oito horas. No entanto, a jovem afirma que não ultrapassou o tempo limite.

De acordo com a ginecologista Rita Dardes, a forte relação entre a síndrome e o uso de absorventes internos acontece devido ao acúmulo de sangue menstrual associado à composição dos absorventes internos que favorece a proliferação da bactéria. No entanto, a médica reforça que atualmente os casos de SCT devido ao uso de absorventes internos são pouco prováveis pois o material dos absorventes está menos sintético. Mas ressalta que o risco existe, principalmente se a mulher usar o mesmo absorvente por mais de oito horas seguidas. “A troca deve ocorrer no intervalo de duas a quatro horas para evitar o surgimento de fungos e bactérias. Quem tem fluxo intenso deve trocar o absorvente com mais frequência.”, diz.

O coletor menstrual, que tem se popularizado no Brasil, é uma alternativa ao absorvente interno livre do risco de SCT, segundo a especialista. Entretanto, mesmo neste caso há um tempo máximo de uso recomendado: 12 horas seguidas.

Identificação dos sintomas
Phoebe contou à BBC que estava na casa de seu namorado quando percebeu os primeiros sinais. A doença se desenvolve de forma acelerada, então sua atenção foi fundamental para o tratamento imediato da doença .”A princípio, achei que estava com um mal-estar e que me sentiria assim por alguns dias. Você não quer pensar ‘estou tendo um choque tóxico’, mas suspeitei de que esses eram os sintomas, eu precisava checar isso. Tinha todos os sintomas; por isso, telefonei ao serviço de emergência e me disseram que deveria ir ao hospital imediatamente.”, disse a jovem à BBC.

Ao chegar no local, a jovem foi posta no soro e a equipe médica colocou um ventilador a seu lado para tentar reduzir sua temperatura corporal. Os médicos confirmaram, então, que o absorvente que a jovem usada havia provocado a síndrome.

“A mãe de um amigo morreu por choque tóxico, por isso sempre fiquei alerta”, explicou Phoebe, que também havia estudado Farmácia e já conhecia a enfermidade.

Alerta a outras mulheres
Desde que deixou o hospital, há três semanas, Phoebe vem se dedicando a alertar outras mulheres sobre a doença. Ela inclusive já deu diversas palestras em sua universidade.”Acredito que deveríamos falar mais sobre essa síndrome como parte da educação sexual e das conversas sobre o uso de absorventes e preservativos. É impossível para muitas mulheres deixar de usar absorventes, por isso elas precisam ter ainda mais cautela.”, destaca a jovem.

Casos raros
Apesar do caso de Phoebe, a contaminação pela doença é extremamente rara. No Reino Unido, em média, 40 pessoas são diagnosticadas por ano com a doença, das quais apenas duas são fatais. No Brasil, de acordo com informações do Hospital Albert Einstein, são menos de 15.000 casos por ano e os fatores de risco incluem cirurgia recente, feridas abertas e uso de absorventes internos.

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Acupuntura é alternativa para tratar a enxaqueca, diz estudo

Segundo pesquisadores chineses, pacientes tratados tiveram redução média no número de crises de 5 vezes por mês para 3 episódios mensais

Os especialistas escolheram quatro "pontos" específicos de acupuntura para tratar os pacientes que sofrem de enxaqueca (iStockphoto/Getty Images)

Para milhões de pessoas, as dores causadas pela enxaqueca podem ser tão intensas e debilitantes que um alívio parece ser impossível. Diante desse problema, pesquisadores e empresas farmacêuticas estão sempre em busca de novas opções de tratamento. Um novo estudo publicado na última segunda-feira, no jornal JAMA Internal Medicine, aponta que a acupuntura pode ser útil para reduzir a frequência dos tipos mais comuns de enxaqueca, segundo informações da CNN.

Para o estudo, pesquisadores chineses acompanharam pacientes que estavam enfrentando a condição por pelo menos um ano. Eles foram tratados por acupunturistas treinados e licenciados, com quatro ou cinco anos de experiência clínica cada. Os voluntários foram separados em dois grupos: um deles foi submetido a um tratamento ‘placebo’, apenas uma simulação da terapia, e o outro recebeu as sessões com base na verdadeira acupuntura.

Os especialistas escolheram quatro “pontos” específicos de acupuntura para tratar os pacientes do primeiro grupo. Depois de cinco meses recebendo o tratamento cinco vezes por semana, os doentes relataram melhora. Houve uma redução no número médio de enxaquecas de 5 vezes por mês para 3, sem eventos adversos que exigissem intervenção médica especial.

Enxaquecas são dores de cabeça intensas e latejantes que podem durar horas ou até mesmo dias. “A enxaqueca é um estado anormal do cérebro onde ele se torna hipersensível a estímulos externos”, explica a médica Amy Gelfand, professora assistente de neurologia da Universidade da Califórnia, em São Francisco, nos Estados Unidos. Não se sabe muito sobre a origem e os efeitos do distúrbio, mas há fortes indícios de que há um componente genético. “O impacto da enxaqueca é muitas vezes desvalorizado, de modo que toda pesquisa sobre o assunto é importante. Embora os medicamentos preventivos existam, eles não são necessariamente eficazes para todos os pacientes e podem causar efeitos colaterais graves”, conclui Amy.

A toxina botulínica, conhecida pelo uso cosmético, é aprovado pela FDA, agência de controle de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, para a prevenção da enxaqueca. Especialistas afirmam que o botox pode bloquear a transmissão de sinais de dor entre as células nervosas. A falta de opções que garantam alívio completo têm levado as pessoas a procurarem tratamentos alternativos, incluindo ioga e meditação.
Alimentos e enxaqueca

O impacto do consumo de alimentos como presunto, salsicha e bacon para o desencadeamento de uma crise tem sido estudado pelos cientistas. Conservantes como nitratos e nitritos, geralmente encontrados nas carnes processadas, podem provocar as fortes dores de cabeça. O glutamato monossódico também é considerado um gatilho para enxaquecas e pode ser encontrado em alimentos industrializados, como sopas e molhos.

Além disso, o álcool é um antigo conhecido dos especialistas no assunto. Estudos já mostraram que pessoas que costumam ter enxaquecas são mais vulneráveis a ter ressaca após o consumo de bebidas alcoólicas do que aquelas que não costumam. Os sulfitos, que servem como antibacterianos e antioxidantes em vinhos industrializados, também podem explicar a relação entre a bebida e a ressaca.

Outra substância associada à enxaqueca é a tiramina, presente em queijos, vinhos e outros alimentos fermentados. Elas contribuem para o funcionamento do cérebro, mas em altas quantidades ou até mesmo para pessoas mais sensíveis, podem provocar crises. Para controlar ou evitar as crises, especialistas aconselham manter um “diário”. Assim, é possível monitorar quais alimentos e comportamentos podem estar relacionados às dores de cabeça.

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Hepatite C, uma doença traiçoeira

Quando não tratada, a Hepatite C pode causar cirrose e até câncer de fígado. Mas graças à evolução do tratamento, a cura estimada é superior a 90%

Ilustração do vírus da Hepatite C (Dr_Microbe/iStock/Getty Images)

O vírus da Hepatite C pode causar doença aguda e crônica. O processo agudo é auto-limitado, raramente causa falência hepática mas, usualmente, leva à doença crônica. A doença crônica progride durante muitos anos, de forma silenciosa e traiçoeira, até atingir a forma de cirrose e de câncer de fígado.

A principal forma de transmissão do vírus C é através da transfusão de sangue infectado. A transmissão perinatal também pode ocorrer. O uso de bebida alcoólica, maconha e a obesidade podem acelerar a evolução da doença. Por outro lado, duas ou três xícaras diárias de café podem ajudar o fígado.

Muitos pacientes infectados com o vírus C reclamam de cansaço e depressão, sintomas que melhoram quando a doença é tratada. Alguns medicamentos devem ser evitados nos quadros graves da doença, como os anti-inflamatórios e, quando utilizar o acetaminofeno, droga associada a piora do fígado, não se deve ultrapassar a dose de 2 gramas por dia.

Os pacientes com doença crônica devem ser vacinados para a Hepatite B e contra o pneumococos, bactéria que pode causar pneumonia, meningite e infecção nos ouvidos. A possibilidade de um doente com a forma avançada da doença evoluir para o câncer de fígado é de 1% a 4% por ano. Portanto, devem ser acompanhados, no máximo, a cada seis meses pelo seu médico.

Os novos medicamentos utilizados para o tratamento são muito eficientes e os pacientes são considerados curados na proporção de 97% a 100% quando a pesquisa do vírus no sangue persistir negativa após o final de 12 semanas de tratamento.


Por David Uip
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