terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Anvisa aprova primeiro medicamento à base de Cannabis sativa

O novo tratamento é indicado para o tratamento de esclerose múltipla em adultos

A solução oral Mevatyl (tetraidrocanabinol (THC), 27 mg/mL + canabidiol (CBD), 25 mg/mL), é indicada para pacientes com espasticidade moderada a grave relacionada à esclerose múltipla que não respondem a outros medicamentos antiespásticos.

A Anvisa aprovou o registro do primeiro medicamento à base de Cannabis sativa. A solução oral do Mevatyl (tetraidrocanabinol (THC), 27 mg/mL + canabidiol (CBD), 25 mg/mL) é indicada para pacientes com espasticidade (caracterizado pela rigidez e incapacidade de controlar os músculos), sintoma relacionado à esclerose múltipla e que não respondem a outros medicamentos.

O novo medicamento é o primeiro aprovado no país que é elaborado a partir da Cannabis sativa. Ao contrário de outros medicamentos à base de Cannabis, o Mevatyl não é indicado para o tratamento de epilepsia, pois o THC, uma de suas substâncias ativas, possui potencial de agravar as crises epiléticas.

O medicamento também não é recomendado para uso em crianças e adolescentes com menos de 18 anos de idade devido à ausência de dados de segurança e eficácia para pacientes nesta faixa etária.

O produto que, em alguns países da Europa e nos Estados Unidos, tem o nome comercial de Sativex, será fabricado por GW Pharma Limited – Reino Unido, e a detentora do registro do medicamento no Brasil é a Beaufour Ipsen Farmacêutica Ltda., localizada em São Paulo (SP).
Dependência
De acordo com a Anvisa, estudos clínicos mostraram que a ocorrência de dependência com o uso do Mevatyl é improvável. O produto será comercializado com tarja preta e estará sujeito a prescrição médica por meio de notificação de receita A prevista na Portaria SVS/MS nº 344/1998 e de Termo de Consentimento Informado ao Paciente.
Remédios à base de maconha
Em novembro do ano passado a Anvisa incluiu os derivados da Cannabis sativa, a maconha, na lista de substâncias psicotrópicas, vendidas no Brasil com receita do tipo A, específica para entorpecentes. A norma passou a permitir que empresas registrem no país produtos com canabidiol e tetrahidrocannabinol como princípio ativo.

Segundo nota da agência, a medida foi motivada justamente pela fase final do processo de registro do Mevatyl.

Atenção: O Saúde Canal da Vida é um espaço de informação, divulgação e educação sobre assuntos relacionados a saúde, não utilize as informações como substituto ao diagnóstico médico ou tratamento sem antes consultar um profissional de saúde. Este site não produz e não tem fins lucrativos sobre qualquer uma das informações nele publicadas, funcionando apenas como mecanismo automático que "ecoa" notícias já existentes. Não nos responsabilizamos por qualquer texto aqui veiculado.

Casos suspeitos de febre amarela em Minas Gerais sobem para 152

Em 10% dos casos, a doença entra em uma fase considerada tóxica e causa hemorragias, insuficiência hepática e insuficiência renal

Por causa do surto de febre amarela no Estado, o governo de Minas declarou emergência em 152 cidades. Os casos suspeitos da doença, no entanto, ocorrem em um grupo menor de cidades. (Fio Cruz/Divulgação)

O número de casos suspeitos de febre amarela em Minas Gerais subiu para 152, com 47 mortes informadas. Dos registros realizados até o momento, 37 casos são considerados prováveis – os pacientes apresentaram sintomas da doença e um exame laboratorial positivo para o vírus. Dos óbitos informados, 22 têm como causa provável a infecção pela febre amarela.

Por causa do surto, o governo de Minas declarou emergência em 152 cidades. Os casos suspeitos da doença, no entanto, ocorrem em um grupo menor de cidades. Até agora, 26 trazem registros de pacientes com infecção ou casos de mortes que podem estar relacionadas à febre amarela. Em 16 cidades foi identificada morte de macacos, provavelmente provocadas também pela doença.

O retorno da doença
Os primeiros sinais de que a febre amarela estava novamente ultrapassando a região amazônica começaram em 2014. Nesse período, de acordo com o Ministério da Saúde, o país passou a ter uma “reemergência” da doença. Entre 2015 e 2016, foram confirmados 15 casos, com 10 mortes nos Estados de Goiás, Pará, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Pará e São Paulo.

O vírus de febre amarela nunca deixou de circular no Brasil na forma silvestre. A cada ciclo de aproximadamente sete anos, no entanto, há um aumento de casos em áreas que ultrapassam a região da Amazônia. O fenômeno está associado a mudanças na população suscetível. A última onda de casos em humanos ocorreu em 2009, quando a doença atingiu o Rio Grande do Sul.

Características da febre amarela
A transmissão da doença ocorre pela picada de mosquitos portadores do vírus de febre amarela: Haemagogus, em regiões de campo e floresta, e o Aedes aegypti, na forma urbana da doença. Os principais sintomas da infecção são calafrios, dor de cabeça, dores nas costas e no corpo, náuseas, vômitos, fadiga e fraqueza.

Para maior parte dos pacientes, os sintomas vão perdendo a intensidade a partir do 3º ou 4º dia da infecção. Em 10% dos casos, no entanto, a doença entra em sua fase considerada tóxica e causa hemorragias, insuficiência hepática e insuficiência renal. Um dos sintomas mais visíveis dessa etapa é a coloração amarelada da pele e do branco dos olhos. Também é comum pacientes apresentarem vômito com sangue, um sintoma da hemorragia. Cerca de 50% dos pacientes que desenvolvem a forma grave da doença morrem num período entre 10 e 14 dias.

Como não há um tratamento específico para febre amarela, a medida mais eficaz é a vacinação, para evitar a contaminação da doença. A imunização é oferecida na rede pública de saúde e pode ser procurada a qualquer momento do ano.

(Com Estadão Conteúdo)
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sábado, 14 de janeiro de 2017

Aedes resistente ao vírus da dengue é criado nos EUA

Uma alteração feita no 'fígado' do mosquito fez com ele aumentasse radicalmente a produção de fatores antivirais em seu organismo, bloqueando a infecção

Nova técnica estimula a habilidade natural do mosquito para combater a dengue (Army Medicine/Flickr/Divulgação)

Uma técnica para barrar a transmissão de doenças do Aedes aegypti foi divulgada por pesquisadores americanos. Os cientistas da Escola de Saúde Pública de Johns Hopkins criaram mosquitos geneticamente modificados que utilizam seu próprio sistema imunológico para combater o vírus da dengue. Uma alteração feita no que seria o fígado do Aedes fez com ele aumentasse radicalmente a produção de fatores antivirais em seu organismo, bloqueando a infecção.

Os testes não funcionaram para zika e chikungunya, mas os pesquisadores acreditam que a técnica possa ser aprimorada para trazer resistência também contra esses outros tipos de arboviroses.

O Aedes se infecta com o vírus da dengue toda vez que suga o sangue de um ser humano que está com a doença, e, dessa forma, pode transmiti-la para as próximas pessoas que forem picadas por ele. O novo estudo, publicado na revista científica Plos One, mostra que esse mosquito produz naturalmente antivirais contra a dengue, mas em um nível tão baixo que não são capazes de eliminar o vírus. O que a nova técnica faz, de forma inédita, é estimular essa habilidade natural a partir da interferência em determinados genes que atuam no “fígado” do inseto.

Depois dessa alteração, foi observado que a maioria dos mosquitos eliminou completamente o vírus, e que os poucos insetos que ainda se mantinham infectados registraram um nível viral baixo nas glândulas salivares, que é a via por onde eles transmitem doenças.

“Se você puder substituir uma população natural de mosquitos transmissores de dengue por organismos geneticamente modificados que sejam resistentes ao vírus, você pode parar a transmissão. Este é um primeiro passo rumo a esse objetivo” , disse o líder do estudo, George Dimopoulos, professor do Departamento de Microbiologia e Imunologia Molecular da Universidade Johns Hopkins, nos EUA.

A equipe de Dimopoulos está trabalhando para, a partir de agora, testar modificações genéticas no que equivaleria ao intestino dos mosquitos. A hipótese é de que seja possível produzir fatores antivirais também neste órgão, tornando mais forte a resposta imune. Uma das apostas é de que isso possa, ainda, impedir a infecção por zika e chicungunha.

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Pesquisadores tentam decifrar ‘doença misteriosa’ da Bahia

Até agora, 52 pessoas desenvolveram a doença que causa dores no corpo e urina quase negra. A principal suspeita é o consumo de peixe contaminado

O tempo para um quadro um pouco mais suave dos sintomas varia de três dias até uma semana. (iStock)

Pesquisadores de quatro laboratórios tentam decifrar o que levou 52 pessoas na Bahia a desenvolver uma ‘doença misteriosa‘ que causa dores no corpo e urina quase negra. “Até o momento, temos apenas hipóteses”, afirmou a superintendente de Vigilância e Proteção à Saúde da Bahia, Ita Cunha, ao jornal Estado de S. Paulo. Até agora, duas mortes foram registradas, mas ainda não há comprovação de que os óbitos estejam relacionados com o problema.

Segundo o infectologista Antônio Bandeira, que acompanhou alguns dos casos em Salvador, é como se o indivíduo “tivesse feito uma maratona em poucos segundos”. “É uma lesão muscular aguda, então a quantidade de mioglobina que está dentro do músculo acaba saindo e vai para a urina. Ela acaba dando essa cor de Coca-Cola. Esse pigmento também tem uma ação nefrotóxica (tóxica para os rins)”, explicou ao portal G1.

A principal suspeita dos médicos é uma reação causada pelo consumo de peixe contaminado. As espécies mais consumidas foram o olho de boi e badejo, segundo relatos dos doentes.

O Laboratório Central da Bahia está com a incumbência de analisar uma eventual infecção bacteriana. No entanto, até agora nenhum caso foi confirmado. Na Fiocruz, a análise é feita para tentar identificar uma eventual infecção viral. Também até o momento sem nenhum resultado conclusivo. O Instituto Adolfo Lutz examina amostras dos peixes. Além disso, o Ministério da Saúde vai encaminhar para o Centro de Controle de Doenças, nos Estados Unidos, amostras de peixes.

Qualquer pessoa que tenha sintomas desse tipo deve procurar um médico. O tratamento, até o momento, é feito apensas com hidratação e analgésico. A indicação, segundo o G1, é não tomar anti-inflamatório, pois há risco de piora da situação dos rins.

(Com Estadão Conteúdo)
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Cientistas explicam como o stress aumenta risco cardíaco

Segundo os pesquisadores, o stress pode ser um fator de risco tão perigoso quanto o fumo e a pressão alta para as doenças cardiovasculares

Stress e coração: novo estudo mostra como o problema pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares (iStock)

Suspeitas, enfim, confirmadas: uma vida levada ao pé da letra, em que momentos de stress geram desequilíbrio emocional e fisiológico poderá trazer graves consequências ao coração. Pelo menos é o que atesta o novo estudo publicado no periódico inglês The Lancet. O stress já tinha sido ligado a um aumento no risco de doenças cardiovasculares, que afetam o coração e os vasos sanguíneos. Mas a forma como isso acontecia nunca tinha sido explicada.

Durante o estudo, nas 300 pessoas avaliadas, foi observado que os que apresentavam uma atividade maior na amígdala (parte do cérebro responsável por orquestrar emoções) tinham uma probabilidade maior de desenvolver doenças cardiovasculares – e mais cedo que os outros. Caracterizada como grupos de células localizadas dentro dos lobos temporais mediais do cérebro, a amígdala –duas, localizadas uma de cada lado do cérebro – está ligada a respostas ao medo e ao prazer, tanto em homens como em animais.

De acordo com os pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, stress pode ser um fator de risco tão decisivo como fumo e pressão alta, e uma atividade maior nesta região ajuda a explicar a ligação. Os cientistas sugerem que a amígdala sob stress envia sinais para a medula óssea, para que esta produza mais células brancas para o sangue. Estas células vão causar inflamação nas artérias e isto pode causar ataques cardíacos, angina e derrames. Quando exposta a estresse, esta parte do cérebro parece funcionar como uma boa forma de prever a ocorrência de eventos cardiovasculares. No entanto os pesquisadores de Harvard afirmam que ainda são necessários mais estudos para confirmar esta sequência de reações.

Inflamação
O estudo publicado na “Lancet” analisou duas pesquisas diferentes. A primeira analisou cérebro, medula óssea, baço e artérias de 292 pacientes durante quase quatro anos para verificar se eles desenvolveram doenças cardiovasculares. Durante o período de acompanhamento, 22 pacientes desenvolveram o problema; estes eram os que tinham uma atividade maior nas amígdalas do cérebro. O segundo estudo, com apenas 13 pacientes, analisou a relação entre os níveis de stress e a inflamação no corpo.

A pesquisa descobriu que os que relataram os níveis mais altos de stress apresentavam também os níveis mais altos de atividade nas amígdalas e mais sinais de inflamação no sangue e nas artérias. “Nossos resultados dão uma percepção única de como o estresse pode levar à doença cardiovascular”, afirmou Ahmed Tawakol, um dos líderes da pesquisa e professor na Faculdade de Medicina de Harvard.

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A picada da mosca que deixa vítimas em sono profundo

Alterações de personalidade, confusão mental grave e má coordenação também podem acontecer

Mosca tse-tse, conhecida como mosca do sono (Patrick Robert/Sygma/Getty Images)

Esqueça o que você conhece por picada de mosquito. Enquanto o inseto é capaz de inserir sua micro e fina língua diretamente no sangue da vítima, muitas vezes sem nem ser ao menos notado, existe uma espécie cuja boca possui minúsculas serrilhas capaz de romper a pele para sugar o sangue. 

Trata-se da mosca tsé-tsé.
Para piorar, várias espécies dessa mosca podem transmitir doenças. Uma das mais perigosas é causada por um parasita: a doença do sono ou tripanossomíase humana africana (THA), para dar o nome oficial. Sem tratamento, ela é normalmente fatal.

Como tantas doenças tropicais, a doença do sono tem sido muitas vezes negligenciada pelos pesquisadores farmacêuticos. No entanto, investigadores têm se esforçado há tempos para compreender como ela engana os mecanismos de defesa do nosso corpo. Algumas de suas descobertas, porém, agora podem ajudar a eliminar a enfermidade completamente.

Há dois parasitas unicelulares que causam o sono mortal: Trypanosoma brucei rhodesiense e T. b. gambiense. Esse último é predominante e é responsável por até 95% dos casos, principalmente na África Ocidental. Ele leva vários anos para matar uma pessoa, enquanto o T. b. rhodesiense pode causar a morte em poucos meses. Existem ainda outras formas que infectam o gado.

Após a mordida inicial, os sintomas da doença do sono muitas vezes começam com febre, dores de cabeça e dores musculares. À medida que ela avança, os infectados ficam cada vez mais cansados – e é daí que a doença recebe seu nome. Alterações de personalidade, confusão mental grave e má coordenação também podem acontecer.

Embora a medicação ajude, alguns tratamentos são tóxicos e podem ser letais, especialmente se ministrados depois que o mal alcançou o cérebro.

Controle?
É interessante notar que a doença do sono não é tão mortal como antes. No início do século XX, várias centenas de milhares de pessoas eram infectadas por ano. Na década de 60, a doença foi considerada “sob controle” e registrou números muito baixos, tornando sua propagação mais difícil. Mas nos anos 1970 houve outra grande epidemia, que demorou vinte anos para ser controlada.

Desde então, programas melhores de rastreio e intervenções antecipadas têm reduzido o número de casos dramaticamente. Em 2009, foram contados menos de 10 000 deles pela primeira vez desde que os registros começaram, e em 2015 esse número caiu para menos de 3 000, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde. A OMS espera que a doença seja completamente eliminada até 2020.

Mas, enquanto o declínio parece positivo, pode haver muitos mais casos não registrados na zona rural da África. Para eliminar o problema completamente, as infecções têm de ser acompanhadas de perto. Uma série de novos estudos tem mostrado que o parasita é mais complicado do que se imaginava.

A doença do sono sempre foi considerada – e diagnosticada – como uma doença de sangue, pois o T. brucei pode ser facilmente detectado no sangue de suas vítimas. Num estudo publicado em setembro de 2016, porém, pesquisadores revelaram ter descoberto que o parasita também pode residir na pele e na gordura.

‘Corrida armamentista’
Essa não é a única razão pela qual os parasitas podem iludir nosso sistema imunológico. Em 2014, Etienne Pays, da Universidade de Bruxelas, na Bélgica, descreveu a história da doença do sono como uma “corrida armamentista” entre os humanos e o parasita.

Nessa batalha, nossa principal arma é uma proteína chamada apolipoproteína L1, que é resistente a uma forma anterior de T. brucei. Essa proteína foi “eficiente em matar o parasita no sangue”, disse Pays. “Pelo que sabemos, ela só estava lá para matá-lo.” Infelizmente, ao longo do tempo, o parasita encontrou uma maneira de burlar a proteção da proteína.

Enquanto a apolipoproteína L1 ainda pode matar a variante que infecta o gado, não é mais eficaz contra as duas estirpes do T. brucei que infectam os seres humanos. Essas duas “conseguiram escapar”, disse Pays. Mas ele e sua equipe conseguiram ajustar a proteína em seu laboratório para torná-la resistente ao T. b. rhodesiense, a forma rara, mas mais letal.

O que eles não perceberam é que há pessoas na África que já têm um sistema de defesa semelhante. Graças a uma mutação na mesma proteína, elas têm imunidade natural contra o T. b. rhodesiense. Pays agora suspeita que algumas pessoas sejam resistentes a todas as formas do parasita.

Essa imunidade natural infelizmente tem um custo. Ninguém ainda sabe por que, mas ela tem sido associada a doenças renais em idade mais avançada.

O desafio é fazer uma variante sem efeitos colaterais. A equipe de Pays produziu outra proteína capaz de matar ambas as formas, mas, quando eles a testaram em camundongos, os animais morreram. O pesquisador ainda está aprimorando a proteína em seu laboratório, na esperança de que ela irá fornecer uma cura eficaz. “Nós criamos outra, que estamos testando atualmente”, disse.

As fases
Se Pays atingir seu objetivo, os médicos simplesmente precisarão injetar a proteína em uma pessoa infectada. Em seguida, ela vai matar o parasita e desaparecer. Isso é promissor, mas há um desafio adicional.

A razão pela qual a doença do sono é tão mortal é que ela pode entrar no cérebro. Instalada lá, causa sintomas mais graves, como confusão, alucinações e má coordenação. Uma vez no cérebro, ela se torna mais difícil de tratar e, portanto, mais fatal. Médicos pensam nisso como um segundo estágio da doença, sendo a primeira quando o parasita infecta o sangue.

Para atingir o cérebro, o parasita deve atravessar a barreira sangue-cérebro, que bloqueia a maior parte das doenças e toxinas. A questão-chave é como ele atravessa – ao que parece, estamos olhando para o lado errado do problema.

Um estudo publicado em outubro de 2016 propõe que a doença do sono tem três fases, e não duas, como se pensava anteriormente. A primeira é a picada da mosca tsé-tsé, após a qual o parasita infecta o sangue da pessoa. Na segunda etapa, que não foi identificada anteriormente, o parasita aparece no líquido cefalorraquidiano e em três membranas que envolvem o cérebro, conhecidas como meninges.

Na terceira fase, as fronteiras de proteção do cérebro quebram e uma “invasão em massa” de tripanossomas atravessa a barreira sangue-cérebro, atacando-o.

Michael Duszenko, da Universidade de Tubingen, na Alemanha, e seus colegas descobriram o segundo estágio em camundongos. Eles também encontraram uma razão para que a terceira fase leve meses e às vezes anos para ocorrer: acontece que o parasita se mantém no segundo estágio, ativamente atrasando o progresso da doença.

Para conseguir isso, ele libera um composto chamado prostaglandina D2, que faz duas coisas. Em primeiro lugar, induz o sono no paciente, tornando-o mais vulnerável à picada de uma mosca tsé-tsé. Em segundo lugar, faz com que algumas das células de parasitas iniciem um processo chamado apoptose, ou “morte celular”. Em outras palavras, o tripanossoma propositadamente destrói algumas das suas próprias células.

Matar suas próprias células pode soar como uma má ideia, mas fazê-lo “reduz a carga do anfitrião e aumenta a probabilidade de parasitas serem transmitidos para a mosca tsé-tsé”, diz Duszenko.

O conceito é manter o hospedeiro vivo, de modo que o parasita tenha mais tempo para infectar outras pessoas. Se a concentração de parasitas subir muito rapidamente, o anfitrião morreria antes de o parasita se espalhar. Essa descoberta pode ajudar a explicar por que algumas pessoas vivem com níveis crônicos da doença por anos. Livros didáticos devem agora ser reescritos em conformidade com essas pesquisas, diz Duszenko.

Adversário difícil
Apesar desses avanços, ainda há o problema de que o T. brucei é muito bom em se manter um passo à frente da defesa dos seus anfitriões. O parasita é particularmente hábil em “variação antigênica”: tem mais de 1 000 versões de uma proteína em sua superfície exterior, mas exibe apenas uma versão de cada vez, de modo que o sistema imunológico do hospedeiro só produz anticorpos contra a proteína que está à mostra.

Nesse meio-tempo, alguns dos parasitas mudam para outra versão, que não podem ser atacadas por esses anticorpos. Toda vez que o anfitrião produz anticorpos contra uma nova onda de parasitas, alguns tripanossomas mudam para uma nova camada. “A resposta imune está sempre tentando recuperar o atraso com os parasitas”, diz Martin Taylor, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.

Em parte por isso, não houve novas drogas durante décadas. Um dos medicamentos recomendados é a pentamidina, que trata a primeira fase do T. b. gambiense – ela foi desenvolvida em 1940. O melarsoprol, que trata a fase final, foi desenvolvido em 1949 – é tóxico e causa a morte em cerca de 5% dos casos.

Outra questão é que as empresas farmacêuticas não têm investido muito dinheiro em pesquisas sobre a doença do sono: ela é uma das chamadas doenças negligenciadas. “A razão pela qual elas são chamadas de doenças negligenciadas é porque elas foram negligenciadas”, diz Taylor. “Porque são doenças das pessoas mais pobres dos países em desenvolvimento, e, uma vez que leva milhões de dólares para desenvolver uma droga para o mercado, não há o incentivo econômico para criar novos medicamentos.”

Isso parece ter mudado um pouco nos últimos anos. Algumas empresas farmacêuticas até fizeram parcerias com organizações sem fins lucrativos que pressionam por novos remédios. MacLeod diz que há duas novas drogas “em vias de desenvolvimento”, que estão passando por testes. “Recentemente, tem havido um esforço para encontrar drogas para essas doenças negligenciadas”, afirma.

A doença do sono certamente continuará presente nos próximos anos. Mas, ao revelar mais segredos do parasita, um dia poderemos ser capazes de colocá-la para dormir de vez.

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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Gengibre? Goji Berry? Os mitos das dietas de emagrecimento

Saiba quais alimentos efetivamente podem ajudar na luta contra a balança e as opções sem comprovação científica para a perda de peso

Saúde - Dieta - Escolha entre alimentos gordurosos e saudáveis (iStock/Getty Images)

Que atire a primeira pedra quem nunca foi em busca de “novidades” para perder peso. Tão tentadoras quanto perigosas, dietas e suas variáveis parecem surgir a cada instante, assim como alimentos tachados de “milagrosos” no auxílio da luta contra a balança.

Mas o caminho é longo, ainda que muitas pessoas apelem para dietas extremamente restritivas, ou sigam alguma dica da moda, sem saber se ajudam efetivamente na perda de peso.

Por isso, a pedido do site de VEJA, a nutricionista do HCor (Hospital do Coração), Juliana Dantas, esclarece mitos e verdades sobre emagrecimento e aponta os reais benefícios dos alimentos na luta contra a balança. Confira:


1. Chá de hibisco:
Parcialmente verdade: a planta medicinal auxilia a reduzir a retenção de líquido e o inchaço de membros superiores e inferiores, o que pode influenciar na redução do peso corporal. Isso não quer dizer, porém, que o indivíduo emagreceu com o chá de hibisco. O chá reduziu apenas a retenção hídrica. (iStock/Getty Images)

2. Chia:
Parcialmente verdade: a chia é rica em fibras, que retarda o esvaziamento gástrico e promove a saciedade. A nutricionista do HCor ressalta que frutas, hortaliças e cereais integrais também são importantes fontes de fibras alimentares. “Por ser um alimento com grande densidade calórica, cerca de 380 calorias por 100 gramas do alimento, seu consumo deve ser moderado”, orienta Juliana. (iStock/Getty Images)

3. Chá verde:
Verdade: o chá possui diversos compostos bioativos que podem auxiliar na redução da gordura e do peso. No entanto, seu consumo deve ser associado à alimentação adequada e saudável, além da prática regular de exercícios físicos. “Não existe um consenso quanto à dose ideal ou sobre como consumi-lo. Há estudos que sugerem que o chá verde deva ser tomado entre as refeições, para não interferir no percentual de absorção dos nutrientes consumidos". (iStock/Getty Images)

4. Frutas cítricas:
Mito: fonte de vitaminas e fibras, as frutas cítricas possuem antioxidantes, como flavonoides, compostos fenólicos, entre outros. “Em relação aos benefícios referentes ao emagrecimento, os estudos existentes ainda são muito limitados. Mais pesquisas são necessárias para obter melhores conclusões". (iStock/Getty Images)

5. Gengibre:
Mito: o gengibre apresenta componentes que poderiam ocasionar aumento da termogênese, ou seja, acelerar o metabolismo. No entanto, são necessários mais estudos para avaliar os reais efeitos do alimento no organismo. (iStock/Getty Images)

6. Goji Berry
Mito: a fruta é considerada saudável, pois possui propriedades antioxidantes e imunomoduladores. Embora não haja comprovação científica que relacione o consumo da fruta ao emagrecimento, sua ingestão pode ser feita como parte da alimentação para aqueles que apreciam seu sabor. (iStock/Getty Images)

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